MARACATU NAÇÃO FORTALEZA

MARACATU NAÇÃO FORTALEZA NA WTM LATIN AMERICA

Atendendo a convite da Secretaria de Turismo do Estado do Ceará (SETUR), o Maracatu Nação Fortaleza esteve em São Paulo nos dias 29, 30 e 31 de março e participou da World Travel Market Latin America 2016.

O Maracatu Nação Fortaleza mostrou a expressão cultural afro-indígena cearense com suas características peculiares de batuque e cortejo, apresentando um rico figurino que dá vida a personagens que passeiam pela história da formação do povo cearense e suas ancestralidades.

MARACATU NAÇÃO FORTALEZA / CARNAVAL 2016

Tema: SALVE A GUERREIRA DANDARA

Autor: Calé Alencar


O Maracatu Nação Fortaleza apresenta para 2016 o tema Salve a Guerreira Dandara, como forma de lançar luzes sobre um importante personagem de nossa história, uma mulher negra, liderança do Quilombo dos Palmares ao lado de Zumbi e Ganga Zumba, cuja trajetória é praticamente invisível nos registros da história de luta das mulheres brasileiras. Por outro lado, sua presença de força e referência no cotidiano dos que acreditam numa sociedade justa e tolerante, reforça a necessidade da criação de elementos propositivos nas mais diversas áreas para realçar sua história de luta e diminuir esta invisibilidade.

Na história do Brasil, sabe-se pouco sobre as mulheres negras. No âmbito escolar, quase não temos aulas citando guerreiras e líderes quilombolas ou simplesmente mencionando mulheres negras fora do ambiente da escravidão. Por conta disso, meninas negras crescem sem saber das referências intelectuais e de resistência nas quais possam se espelhar. Para descobrir referenciais é preciso mergulhar em pesquisas dificultadas pela escassez de informações, resultando na descoberta do ínfimo relato sobre mulheres como Dandara dos Palmares ou Tereza de Benguela.

Devido ao exacerbado machismo, é difícil encontrar em nosso país registros históricos do universo feminino a partir de fatos contados de forma responsável e aprofundada. Ainda nos dias atuais, poucas mulheres são citadas e celebradas por suas conquistas. No entanto, quando estas mulheres são negras ou índias, a negligência é ainda maior. Mesmo com os esforços racistas para apagar a história das mulheres negras, racismo nenhum será capaz de enterrar a memória de mulheres negras inteligentes, sagazes e dotadas de espírito guerreiro, feito Dandaras a lutar por seus direitos, acreditando em sua imensa coragem e ímpeto de transformação. Mulheres que jamais se dobraram diante do racismo. Pelo contrário, lutaram e deram suas vidas para que outras mulheres possam trilhar caminhos menos árduos a partir de seus exemplos de fibra e coragem.
Salve a Guerreira Dandara nos remete a um Brasil do período colonial e da resistência do Quilombo dos Palmares, enriquecendo a proposta do Maracatu Nação Fortaleza ao trazer as cores vivas da cultura afro brasileira para as vestimentas e adereços, o toque ancestral dos tambores saudando uma rainha negra e sua luta pela liberdade, a presença do simbolismo incorporado na Calunga e os elementos do universo Brasil – África como referência na montagem do desfile, aliados à contribuição de índios nativos e sua arte exuberante e também os traços da cultura européia presentes na corte do maracatu.

O Maracatu Nação Fortaleza por meio desta justa homenagem, pretende dar visibilidade à guerreira Dandara dos Palmares, realçando sua valiosa contribuição na história de luta das mulheres no Brasil. Além disso, a escolha do tema relacionado a uma mulher negra que dedicou sua vida à luta pela liberdade de seu povo, objetiva consolidar um ponto de referência para o universo feminino de mulheres negras e todas aquelas identificadas com a história de luta e resistência de Dandara dos Palmares.

O Maracatu Nação Fortaleza, seguindo uma característica peculiar à sua trajetória no carnaval de rua da capital cearense, tem como meta mobilizar as comunidades de suas áreas de atuação para ocupação de espaços com ensaios abertos, realização de cursos e oficinas e mão de obra para confecção de adereços, figurinos, peças artesanais e outros materiais a serem utilizados no desfile, além de apresentações e palestras fora do período carnavalesco.

LOA

ê ê ê dandara, ê ê ê dandara, ê ê ê dandara
o tambor já tocou, calunga mandou chamar
vai ter gira no terreiro, iaiá
batuque para dandara
luz que alumiou a força dessa nação
quando bate o pé na terra, ioiô
tem festa no coração
bate que bate que toca o tambor
negra de angola palmares nagô
a liberdade está dentro de nós
existe um deus dentro de cada um
e uma rainha que vai nos guiar
salve a guerreira dandara
ê ê ê dandara, ê ê ê dandara, ê ê ê dandara
O Maracatu Nação Fortaleza pretende homenagear, em seu cortejo no carnaval de rua, a guerreira Dandara dos Palmares, símbolo da luta pela liberdade no Quilombo dos Palmares junto a Zumbi e Ganga Zumba, na época do Brasil Colonial. Personagem quase que apagado da história oficial, Dandara representa a fibra e a raça da mulher brasileira, resgatada de sua invisibilidade pela tenacidade de pesquisadores, historiadores e escritores isentos e comprometidos com a verdadeira história de luta do povo brasileiro.

Além da homenagem a este importante personagem feminino da história brasileira, sobre o qual quase nada existe de referência nos livros de história distribuídos nas escolas em nosso país, o Maracatu Nação Fortaleza, ao apresentar em seu desfile carnavalesco o tema Salve a Guerreira Dandara, pretende emprestar visibilidade à luta das mulheres no Brasil, sobretudo as mulheres negras, vítimas de preconceito e racismo.

O tema a ser apresentado tem o intuito de acrescentar novos elementos ao desfile carnavalesco, por meio de uma contribuição cultural e artística focada no respeito à luta das mulheres, acreditando na consolidação de uma referência para o universo feminino, tendo como personagem central a guerreira Dandara dos Palmares, ícone da luta pela liberdade dos palmarinos e heroína da luta dos escravizados no Brasil.