MARACATU NAÇÃO FORTALEZA

ENSAIOS
2019
Local Quadra do Colégio Dom Manuel da Silva Gomes, rua Samuel Uchoa, 550 – Jardim América
(rua paralela à Prof. Costa Mendes, o colégio fica a 3 quarteirões da av. João Pessoa, sentido oeste-leste)

Horários 18h30 às 21h30

Dias dos ensaios e oficinas
Janeiro : 23, 25, 29
Fevereiro : 1, 5, 8, 12, 15, 19, 22, 26, 28
Março : 1 > entrega de fantasias
Desfile Sábado 2 de Março - 21h20 - Avenida Domingos Olímpio - Fortaleza - Ce

Tema e Loa 2019 : TEREZA DE BENGUELA, RAINHA DO QUARITERÊ

MARACATU NAÇÃO FORTALEZA / CARNAVAL 2019

Tema: TEREZA DE BENGUELA, RAINHA DO QUARITERÊ

Autor: Calé Alencar

O Maracatu Nação Fortaleza tem como premissa a apresentação de temas homenageando personagens e fatos importantes da história do Brasil e de outros povos, seja no aspecto cultural, social, artístico ou político.
O tema em homenagem a Tereza de Benguela pretende oportunizar uma discussão aprofundada sobre a presença da mulher negra na história de luta e resistência em nosso país, trazendo visibilidade para personagens de extrema importância que a versão oficial dos fatos deixa no esquecimento de forma proposital para que seu exemplo de enfrentamento não seja assimilado pelas populações oprimidas.

A história não sabe se Tereza de Benguela nasceu no continente africano ou no Brasil, muito menos a data em que ela veio ao mundo. O que se tem conhecimento é que Tereza viveu durante o século XVIII no Vale do Guaporé, no Mato Grosso, tendo sido a maior liderança do Quilombo do Quariterê, hoje município de Vila Bela da Santíssima Trindade, há 548 km da capital do estado, Cuiabá. Tereza esteve à frente do quilombo após a morte de seu companheiro, José Piolho, assassinado por soldados do Estado. O Quilombo do Quariterê resistiu aos ataques dos bandeirantes de 1730 a 1795, época em que foi atacado e destruído a mando da capitania regional. Território de difícil acesso, o quilombo foi o ambiente perfeito para Tereza coordenar um forte aparato de defesa e articular um parlamento para decidir em grupo as ações da comunidade, que vivia do cultivo de algodão, milho, feijão, mandioca, banana e da venda dos excedentes produzidos.

O Quilombo do Quariterê abrigava mais de 100 pessoas, com destacada presença de negros e indígenas. Todos conviviam juntos sob a coordenação da Rainha Tereza, como ficou conhecida em alguns registros históricos. Não há uma versão definitiva sobre a morte de Tereza de Benguela. Alguns historiadores afirmam que ela cometeu suicídio após ser capturada por bandeirantes a mando da capitania do Mato Grosso, por volta de 1770. Outros afirmam ter sido Tereza assassinada, tendo a cabeça exposta no centro do Quilombo.
O que se sabe de modo concreto é que alguns quilombolas conseguiram fugir e se reuniram em um novo espaço que foi novamente vítima de ataques e finalmente destruído de modo definitivo em 1795. Presentes no imaginário do povo da região pantaneira, a Rainha Tereza e o Quilombo do Quariterê permanecem vivos por meio da oralidade. Entre os relatos, alguns moradores da Vila Bela da Santíssima Trindade contam que Tereza de Benguela navegava com barcos imponentes pelos rios do pantanal.
Em 1992, na cidade de Santo Domingo, República Dominicana, foi criado em 25 de Julho, o Dia da Mulher Afro-latinoamericana e caribenha. O Brasil adotou a data em 2 de Junho de 2014, através da lei 12.987, estabelecendo o 25 de Julho como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.

LOA

TEREZA RAINHA, TEREZA DE BENGUELA
GUERREIRA TEREZA, RAINHA, NEGRA, MULHER
TEREZA, RAINHA TEREZA, LÁ VEM ELA
RAINHA TEREZA PRA LUTA E PRO QUE VIER
DAS TERRAS DO MATO GROSSO
DO VALE DO GUAPORÉ
VEM TEREZA DE BENGUELA
REVIVER O QUARITERÊ
TRAZENDO O QUILOMBO PRA RUA
DIZENDO NÃO AO PRECONCEITO
SUA CABEÇA ERGUIDA É SENTINELA
A LUTAR PELO NOSSO DIREITO
TODO AMOR DE LÁ
TODO AXÉ DE LÁ
TODA LUZ DE LÁ
É TEREZA DE BENGUELA