MARACATU NAÇÃO FORTALEZA

ENSAIOS
2020
Local Quadra do Colégio Dom Manuel da Silva Gomes, rua Samuel Uchoa, 550 – Jardim América
(rua paralela à Prof. Costa Mendes, o colégio fica a 3 quarteirões da av. João Pessoa, sentido oeste-leste)

Horários 18h30 às 21h30

Dias dos ensaios e oficinas
Janeiro : Dias 17, 21, 24, 28 e 31
Fevereiro : Dias 4, 7, 11, 14, 18 e 21

Desfile Domingo, 23 de fevereiro, 19h40, Av. Domingos Olímpio, Fortaleza - CE.

Tema e Loa 2020 : JOÃO CÂNDIDO, O ALMIRANTE NEGRO

MARACATU NAÇÃO FORTALEZA / CARNAVAL 2020

Tema: JOÃO CÂNDIDO, O ALMIRANTE NEGRO

Autor: Calé Alencar

O Maracatu Nação Fortaleza tem como premissa a apresentação de temas homenageando personagens e fatos importantes da história do Brasil e de outros povos, seja no aspecto cultural, social, artístico ou político.

O tema homenageando João Cândido Felisberto, herói da Revolta da Chibata, pretende oportunizar uma discussão aprofundada sobre a presença do negro na história de luta e resistência em nosso país, emprestando visibilidade a personagens de extrema importância que a versão oficial deixa no esquecimento de forma proposital, para que seu exemplo de enfrentamento e resiliência não seja assimilado pelas populações oprimidas.

João Cândido, o Almirante Negro, no contexto do desfile do Maracatu Nação Fortaleza, representa o protagonismo de negros e negras que a história dos opressores tenta tornar invisível e que a arte do povo nas ruas recoloca no devido patamar de importância histórica e exemplo de luta.

João Cândido Felisberto, timoneiro do encouraçado Minas Gerais e um dos líderes da Revolta da Chibata, atuando como porta-voz dos revoltosos, nasceu em 21 de junho de 1880, na cidade de Encruzilhada do Sul (RS) e faleceu no dia 6 de dezembro de 1969, no Rio (RJ). Edmar Morel, notável jornalista cearense e repórter da revista O Cruzeiro, registrou em livro a importância deste personagem para a história do Brasil e o exemplo de sua luta, seu compromisso e sua bravura para o povo brasileiro. A partir de entrevistas com João Cândido e outros companheiros do movimento, Edmar Morel publicou, em 1959, A Revolta da Chibata.

Em julho de 2008, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou anistia póstuma ao marinheiro João Cândido Felisberto. Nesse mesmo ano, no Dia Nacional da Consciência Negra, 20 de novembro, sua estátua foi reinaugurada e hoje se encontra na Praça XV, no centro do Rio de Janeiro. Antes, estava no Museu da República, mas graças à atuação do ministro da Igualdade Racial, Edson Santos, a transferência se efetivou.

Na ocasião o ministro declarou: “É uma medida emblemática na luta contra o racismo e pela igualdade racial, quando comemoramos 120 anos da Abolição da Escravatura. João Cândido é um herói negro do Brasil”.

LOA

João Cândido, o almirante negro
Das cinzas, renasceu Dragão do Mar
Um guerreiro
Um Rei Congo brasileiro
Deu as ordens no terreiro
E foi com o povo guerrear
Tudo que é luta do povo
Será um clarão
Toda essa gente virá festejar
E tudo que os velhos tiranos
Tiraram de nós
Vai tudo de volta pro nosso gongá
Tudo de volta pro nosso gongá
Ê João, no balançar do mar
Ê João, joga pra lá e pra cá
Ê João, traz a revolução
Joga fora a chibata
E vem jogar flores
No mar de Iemanjá

João Cândido merece o reconhecimento do povo brasileiro pela sua coragem em desafiar e lutar por uma sociedade menos excludente e mais solidária. Sua luta almejou o direito sagrado da liberdade diante de uma “Abolição” que libertou o escravizado mas não viabilizou o acesso à cidadania plena. O legado de João Cândido, O Mestre-Sala dos Mares da bela canção de João Bosco e Aldir Blanc, magistralmente interpretada por Elis Regina, é o exemplo de que não devemos calar diante do arbítrio, lutando com todas as forças sempre que a liberdade, a justiça e o bem comum estejam ameaçados.

Em 2020 teremos os 140 anos do nascimento de João Cândido e os 110 anos da Revolta da Chibata. Episódio pouco lembrado na história de lutas do povo brasileiro, ainda que pese a grande importância em termos de exemplo da bravura dos marinheiros descontentes com a situação de castigos desumanos que sofriam no ambiente da Marinha Brasileira, a Revolta da Chibata representa um momento de afirmação dos revoltosos, em sua maioria negros, marcando esse episódio pela atitude de enfrentamento à violência com que eram castigados. A exemplo de Canudos, Caldeirão e outros movimentos em que o povo brasileiro se manifestou sem a presença das elites, insurgindo-se exatamente em função da omissão e da prepotência das classes dominantes, a Revolta da Chibata serviu para tornar visível a luta de uma classe popular e sobretudo negra, contra os desmandos perpetrados sob a forma de castigos desumanos. O Maracatu Nação Fortaleza pretende trazer à tona e emprestar visibilidade a mais esta luta do povo brasileiro, com o exemplo de bravura de João Cândido Felisberto mostrado no desfile, propiciando aos brincantes e ao público a oportunidade de conhecer uma parte da história de lutas do povo brasileiro que as elites não se interessam em contar.

Ao apresentar o tema envolvendo a luta de João Cândido, o Almirante Negro, o Maracatu Nação Fortaleza pretende valorizar a história afro brasileira no desfile, com ênfase nas tradições, ancestralidades e participação das comunidades envolvidas, dando continuidade à cultura dos maracatus da capital cearense e utilizando o desfile carnavalesco como meio de difusão e reconhecimento à importância da luta de todos aqueles que lutaram pelo fim dos castigos violentos a que eram submetidos, culminando com a Revolta da Chibata, há 110 anos.